2 dez 2009

As decisões de investimento no setor imobiliário brasileiro devem ganhar impulso a partir de dezembro, quando passará a circular no mercado uma medição trimestral da rentabilidade do segmento de imóveis. Batizado de Índice Brasileiro de Rentabilidade Imobiliária (Ibri), o indicador vem sendo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A intenção é melhorar as condições de análise para que os investidores, principalmente os institucionais, identifiquem oportunidade em imóveis no ramo corporativo.
O indicador está sendo desenhado por encomenda da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp) e promete mapear o rendimento de investimentos em imóveis comerciais, galpões industriais, shoppings centers no pais. “É um tipo de informação que todos querem ter”, afirma Paulo Picchetti, pesquisador da FGV e coordenador do índice.
Segundo Picchetti, muitos analistas internacionais citam textualmente o potencial desse tipo de investimento no mercado brasileiro. Eles lamentam, no entanto, a falta de um índice nesse formato, que tem como referência o indicador americano NPI (NCREIF Property Index). “Relatórios de consultorias internacionais sobre investimento imobiliário na América Latina, por exemplo, apontam explicitamente a ausência de informações como o ‘calcanhar de Aquiles’ para aportes no setor”, afirma o pesquisador.
Além de comparar a rentabilidade do segmento imobiliário em relação a outros ativos, inclusive ante o mercado acionário, o índice também vai medir o desempenho de uma determinada carteira de um fundo perante a média do mercado imobiliário como um todo. Uma análise mais detalhada do indicador trará dados setoriais e mesmo regionais . Além disso, será feito um levantamento retroativo de rendimento desses investimentos de 2000 para cá.
Nos cálculos entram não só a rentabilidade do imóvel, como também a renda operacional obtida com aluguéis e alienações, por exemplo. Juntas, as duas informações vão compor o indicador de rendimento bruto e líquido ao longo do tempo.
Os números – que serão apresentados em um workshop em São Paulo – referem-se a uma primeira versão do indicador. O objetivo é ampliá-lo ao angariar dados adicionais junto a outros participantes do mercado, como, por exemplo, bancos, corretoras, construtoras e mesmo consultorias imobiliárias. São interessados que podem ter acesso a estes números e, em contrapartida, contribuir com dados dos próprios investimentos que mantém em carteira. A FGV vai assegurar o sigilo das informações colhidas por sua equipe.
Além da relevância comercial do referencial, Picchetti acredita que o indicador deve ajudar a complementar a análise da atividade no setor imobiliário no Brasil. “Qualquer outra pessoa que tenha necessidade de modelos macroeconômicos vi ver nisso uma variável de grande valor, pois o preço dos ativos é um dos componentes fundamentais para identificar ciclos ou mesmo movimentos especulativos e bolhas”, avalia Picchetti.
Durante a apresentação do índice e dos números iniciais, a Abrapp e a FVG apresentarão também um estudo com os cenários de longo prazo do setor imobiliário nos períodos de 2009 a 2016 e de 2016 a 2030.
Fonte: FGV

Um comentário para "FGV mapeia rentabilidade do setor imobiliário"
Muito bom para nós operadores do mercado imobiliário, que seja criado este novo indicador, melhor ainda, por estar sendo elaborado por uma instituíção com tanta credibilidade e competência que é a FGV. Parabéns.
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