As decisões de investimento no setor imobiliário brasileiro devem ganhar impulso a partir de dezembro, quando passará a circular no mercado uma medição trimestral da rentabilidade do segmento de imóveis. Batizado de Índice Brasileiro de Rentabilidade Imobiliária (Ibri), o indicador vem sendo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A intenção é melhorar as condições de análise para que os investidores, principalmente os institucionais, identifiquem oportunidade em imóveis no ramo corporativo.

O indicador está sendo desenhado por encomenda da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp) e promete mapear o rendimento de investimentos em imóveis comerciais, galpões industriais, shoppings centers no pais. “É um tipo de informação que todos querem ter”, afirma Paulo Picchetti, pesquisador da FGV e coordenador do índice.

Segundo Picchetti, muitos analistas internacionais citam textualmente o potencial desse tipo de investimento no mercado brasileiro. Eles lamentam, no  entanto, a falta de um índice nesse formato, que tem como referência o indicador americano NPI (NCREIF Property Index). “Relatórios de consultorias internacionais sobre investimento imobiliário na América Latina, por exemplo, apontam explicitamente a ausência de informações como o ‘calcanhar de Aquiles’ para aportes no setor”, afirma o pesquisador.

Além de comparar a rentabilidade do segmento imobiliário em relação a outros ativos, inclusive ante o mercado acionário, o índice também vai medir o desempenho de uma determinada carteira de um fundo perante a média do mercado imobiliário como um todo. Uma análise mais detalhada do indicador trará dados setoriais e mesmo regionais . Além disso, será feito um levantamento retroativo de rendimento desses investimentos de 2000 para cá.

Nos cálculos entram não só a rentabilidade do imóvel, como também a renda operacional obtida com aluguéis e alienações, por exemplo. Juntas, as duas informações vão compor o indicador de rendimento bruto e líquido ao longo do tempo.

Os números – que serão apresentados em um workshop em São Paulo – referem-se a uma primeira versão do indicador. O objetivo é ampliá-lo ao angariar dados adicionais junto a outros participantes do mercado, como, por exemplo, bancos, corretoras, construtoras e mesmo consultorias imobiliárias. São interessados que podem ter acesso a estes números e, em contrapartida, contribuir com dados dos próprios investimentos que mantém em carteira. A FGV vai assegurar o sigilo das informações colhidas por sua equipe.

Além da relevância comercial do referencial, Picchetti acredita que o indicador deve ajudar a complementar a análise da atividade no setor imobiliário no Brasil. “Qualquer outra pessoa que tenha necessidade de modelos macroeconômicos vi ver nisso uma variável de grande valor, pois o preço dos ativos é um dos componentes fundamentais para identificar ciclos ou mesmo movimentos especulativos e bolhas”, avalia Picchetti.

Durante a apresentação do índice e dos números iniciais, a Abrapp e a FVG apresentarão também um estudo com os cenários de longo prazo do setor imobiliário nos períodos de 2009 a 2016 e de 2016 a 2030.

Fonte: FGV